Saramago

Certa feira, José Saramago escreveu, no segundo volume (lançado no Brasil) de seus Cadernos de Lanzarote (São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 154):

6 de Junho

Regresso a Lisboa, onde me esperava um dia arrasador na Feira do Livro: mais de duas horas, ininterruptamente, a assinar livros. tenho ouvido dizer, e já o disse eu próprio, que a juventude de agora lê pouco, que só quer saber de ‘rock’ e jogos de computador. Donde vêm, então, estas raparigas e estes rapazes de rostos solares, que me trazem livros para que os assine, que estiveram a contar munuciosamente as últimas moedas para ver se conseguiam chegar ao preço, e, em troca do autógrafo, me deixam a memória de um sorrizo, de um olhar, de uma palavra?

Fico grato por ter alunos que, a despeito de festas, jogos eletrônicos e demais diversões que se lhes põem a disposição, ainda insistem em ler, em aprender.

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